quarta-feira, 26 de agosto de 2015



Dos ossos dos que morrem de fome, eu farei um clarim. Da pele dos que morrem esfolados, eu farei um tambor. Um tambor e um clarim. Assim, mesmo depois de mortos, os desamparados clamarão contra a injustiça, contra o egoísmo, contra o desamor. Clamarão contra ti, que ficas impassível vendo-os morrer. Mas, tu que protestas, eu sou teu irmão. Unamos, pois, nossas forças! Unamos, pois, nossas vozes! No meio dos indiferentes nós seremos inconformados, nós faremos a denúncia. Gritaremos com todas as nossas forças. Gritaremos com todas as nossas vozes, até que toda a terra se encha de nosso clamor, até que alguém nos ouça e se una a nós. Da pele e dos ossos faremos tambor e clarim. E, se por isso eu morrer ou se tu morreres, de nossa pele sejam feitos tambores, de nossos ossos sejam feitos clarins.

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